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Aos Adventistas
Desde: 15/02/2003      Publicadas: 46      Atualização: 12/04/2012

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 Adventismo

  15/11/2011
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A igreja Adventista é uma seita? Parte 3- A Conexão


Partes deste estudo foram usados para a postagem "Leandro Quadros na mira da verdade." Mostro nesta postagem e nas próximas, que "A Grande Decepção de 1844" pode e deve ser colocado na conta Adventista HOJE.
A escritora Ellen White afirmou: "O assunto do santuário foi a chave que desvendou o mistério do desapontamento de 1844. Revelou um conjunto completo de verdades, ligadas harmoniosamente entre si e mostrando como a mão de Deus dirigia o grande movimento do advento [...]"(WHITE,1975, p. 422). Estranho quanto pareça, uma falsa profecia que levou milhares de pessoas ao confronto existencial, além de ter sido uma desobediência ao Senhor Jesus, é uma chave de revelação. Segundo ela, a "mão de Deus" estava com eles. Como pode Ele então ter deixado esse erro histórico? Será que Deus não sabia que essa decepção causaria descrédito ao movimento cuja mão apoiava?

Mas quem foi o protagonista dessa historia? De que maneira ele chegou a uma conclusão tão drástica?



GUILHERME MILLER

O homem que marcou o início do movimento adventista é Guilherme (ou William) Miller. Sobre ele temos as seguintes informações biográficas:

"William Miller, nasceu em Pittsfied, Massachusetts em 15 de Fevereiro de 1782. Casou com Lucy em 1803, indo morar em Poultney, Vermont onde era agricultor. Na sua juventude cria na Bíblia e em outros livros como inspirados. Adotou, após o seu casamento, o deísmo. Serviu como voluntário na guerra de 1812, terminando como capitão em 1815. Em 1816 após ter assistido em sua igreja, a um comovente apelo de um pregador, se volta com ardor a estudar a Bíblia. Sua visão era de que a Bíblia, se fosse realmente a palavra de Deus, deveria explicar por si só suas aparentes contradições. Entre 1816 e 1818 estudou instensivamente o Livro usando apenas uma concordância bíblica de Cruden. Começou em gênesis e não avançava um versículo se não o tivesse entendido. Um dia deparou com o texto que deveria marcá-lo para o resto da vida: "até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado". Usando outros textos como Ezequiel 4:6 e 7 e outros mais, concluiu que as 2300 tardes e manhãs] representavam 2300 anos que teriam começado em 457 A.C e terminariam em 1843 d. C.[...] Um pastor, chamado Samuel Snow, sugeriu que Cristo viria, não na primavera, mas no outono daquele ano, exatamente no dia do juízo que acontecia no 10º dia do sétimo mês no calendário judaico rabinista, que naquele ano cairia no dia 22 de outubro de 1844. A purificação que era feita no santuário israelita, que era um antítipo do santuário celestial, acontecia neste dia, portanto, concluiu Snow, Cristo também, o sumo sacerdote, viria a este mundo mundo buscar Seu povo. Esta data foi chamada o dia do grande desapontamento (WIKIPEDIA, 2010).

No livro O Grande Conflito a profetisa adventista traz informações da vida desse cristão. O fato que é inegável é que por mais que os adventistas procurem minimizar a importância de Miller para eles hoje, Ellen White dá uma visão engrandecida dele, a ponto de encontrar nele o "marco divino" para suas prórpias visões proféticas. Rejeitar Guilherme Miller é rejeitar o que Ellen White disse. Antes de verificar o pensamento dela a respeito de Miller, essa rejeição precisa ser revista.

A posição que algumas vezes a Igreja Adventista assume em relação a Guilherme Miller é na verdade um contra senso em relação ao que Ellen White escreveu sobre Miller. Para não ser conectada com a decepção de 1844 a Igreja Adventista desvincula-se de Guilherme Miller de maneira estranha. Veja o que o ICP (Instituto Cristão de Pesquisa) trouxe ao público:

"Não admitem, pois, qualquer ligação com William (ou Guilherme) Miller, declarando que isso é uma grande inverdade e que não passa de informações grosseiramente deturpadas sobre a origem denominacional adventista (" Carta da Escola Bíblica, de Nova Friburgo, RJ, de 12-12-00). Chegam a ponto de afirmar que: Os Adventistas nunca marcaram uma data para a Volta de Jesus. Foram os Mileritas ( seguidores de Guilherme Miller, um pregador batista) que fizeram isto. Eles anunciaram que Jesus viria no ano de 1843; depois, deduziram que seria em 1844; como os Adventistas do 7 Dia iriam marcar uma data, se eles ainda não existiam? Surgimos como movimento organizado no ano de 1863 (declaração constante da carta em apreço). pagina 12 (OLIVEIRA, 2001, p. 12).

Algumas coisas saltam à vista. Mostrarei que Ellen White discordaria dessa afirmação frontalmente. Partes do livro "O Grande Conflito" dedica de maneira substancial a divulgação da pessoa e obra de Miller em associação com o movimento adventista.

Ellen White afirmou que "multidões se convenceram da exatidão dos princípios de interpretação profética adotados por Miller e seus companheiros, e maravilhoso impulso foi dado ao movimento do advento" (WHITE, 1975, p. 335). Ellen White se enganou?

A citação anterior também despista quando afirma que Miller era pregador batista. Nesse contexto, fica em foco a origem religiosa dele, mas de maneira alguma mostra que por ser um pregador de origem batista, não significa concordância desse grupo religioso com a mensagem por ele pregada. Outro subterfúgio usado é mais flagrante quando eles dizem que "o movimento adventista foi organizado anos depois de Miller". Isso é me parece óbvio. Nenhum movimento nasce organizado. Apenas com seu desenvolvimento e crescimento é que a organização e estruturação tornam-se necessários.

A atitude adventista indicada pelo ICP revela um comportamento no mínimo evasivo, por parte da Igreja Adventista. Mas que não resolveu objetivamente nada, pois os fatos históricos, e mesmo Ellen White, não endossam isso. Sendo assim, o Adventismo admite que o movimento Milerita, que é o movimento adventista nascente, anunciou sim a vinda visível de Cristo para uma data especifica, rejeitando as palavras do próprio Senhor em Mateus 24.36.

O teólogo, erudito e apologista adventista, Francis D. Nichol, escreveu uma importante obra que tenta resolver essa e outras questões lançadas contra o adventismo. Ao responder a acusação que os adventistas surgiram de um fracasso profético, ele diz: "Os adventistas, ao longo de toda a sua história, não marcaram data para o advento." (Respostas, 2004, p. 234). O esforço dele não é negar qualquer ligação com o milerismo. Diferente daquilo que o ICP ressaltou. Na verdade, Nichol reconhece que o erro de Miller não deve ser computado aos adventistas hoje.

A explicação de Nichol é uma boa e aceitável colocação. Porém, a essência de sua justificativa não coaduna com a versão que Ellen White dá de Miller. Ela disse, como já citado, que o movimento de Miller era o adventismo! Algumas considerações de Ellen White sobre Miller serão abordadas mais adiante, porém em vista do que foi dito acima, algo precisa ser exposto agora. Ainda que seja extensa a próxima citação do livro Primeiros Escritos de Ellen White é necessária. Com essa descrição dessa suposta visão de Ellen White, nota-se que o adventismo, sua existência e teologia profética, estão necessariamente ligados a Miller. O capítulo do livro é intitulado "O Sonho Sobre Guilherme Miller". O homem com a vassoura seria Miller.

"[...]Pensei que homem algum se incomodava com minha tristeza ou minha ira. Fiquei inteiramente desanimada e desencorajada, e assentei-me e chorei. Enquanto eu estava assim chorando e lamentando a minha grande perda e responsabilidade, lembrei-me de Deus, e ferventemente orei para que Ele me enviasse auxílio. Imediatamente a porta se abriu e um homem entrou na sala, quando todas as pessoas se haviam retirado; e esse homem, tendo na mão uma vassoura, abriu as janelas, começando a varrer a sujeira e o lixo da sala. Pedi-lhe que desistisse, pois havia algumas jóias preciosas espalhadas entre o lixo. Disse-me ele para "não temer", pois "tomaria cuidado delas". Então, enquanto ele varria o lixo e a sujeira, jóias e moedas falsas, tudo saiu pela janela como uma nuvem, sendo levados pelo vento para longe. Na agitação eu fechei os olhos por um momento; quando os abri o lixo tinha desaparecido. As jóias preciosas, os diamantes, as moedas de ouro e de prata, continuavam espalhadas em profusão por todo o recinto. Ele colocou então sobre a mesa um cofre, muito maior e mais belo que o anterior, e ajuntou as jóias, os diamantes, as moedas, e lançou-as dentro do cofre, até não ficar uma só, embora alguns dos diamantes não fossem maiores que a ponta de um alfinete. Então ele me chamou: "Vem e vê." Olhei para dentro do cofre, mas os meus olhos estavam deslumbrados com a visão. Elas brilhavam com glória dez vezes maior que a anterior. Pensei que tivessem sido esfregadas contra a areia pelos pés das pessoas ímpias que as haviam espalhado e sobre elas pisado contra a poeira. Elas estavam arrumadas em bela ordem no cofre, cada uma no seu devido lugar, sem qualquer visível esforço da parte do homem que as pusera ali. Soltei uma exclamação de verdadeira satisfação, e esse grito despertou-me."

Algo estranho está nessa suposta visão. Miller abandonou o movimento adventista pouco tempo após a grande decepção de 1844. Morreu em 1849 sendo membro da igreja batista e rejeitando a mensagem adventista, da qual ele mesmo foi o progenitor. Ellen White afirma que recebeu outra visão em 26 de janeiro de 1850, onde a visão sobre Guilherme Miller foi mencionada. Não é possível determinar quando exatamente a visão sobre "Miller com a vassoura" está localizada (eu não consegui).

Mas, o que está certo nisso é que o trabalho de Miller, segundo a Sra. White, foi um trabalho divino. O ano de 1844, conforme interpretado por Miller não poderia estar fora desse contexto:

"Deus mandou Seu anjo mover o coração de um lavrador, que não havia crido na Bíblia, a fim de o levar a examinar as profecias. Anjos de Deus repetidamente visitavam aquele escolhido, para guiar seu espírito e abrir á sua compreensão profecias que sempre tinham sido obscuras para o povo de Deus.(O Grande Conflito, 2010, p. 229).

Impossível qualquer desconexão entre Guilherme Miller e o Adventismo atual. A não ser que o profetisa adventista esteja errada. Isso, o adventista jamais assumirá.

Mas esse não seria o desfecho da vida de Miller. Ellen White coloca esse "homem com a vassoura" como tendo sido enganado pelo diabo. O que se segue revelará contradições, comprometendo à doutrina adventista de 1844.

"Minha atenção foi então chamada para Guilherme Miller. Ele parecia perplexo e estava quebrantado por ansiedade e angústia por seu povo. O grupo que havia estado unido em amor em 1844 estava perdendo o seu amor, opondo-se uns aos outros, e caindo num frio estado de apostasia. Ao contemplar isto, o sofrimento consumiu-lhe as forças. Eu vi líderes observando-o, temerosos de que ele aceitasse a mensagem do terceiro anjo e os mandamentos de Deus. E quando ele se inclinava para a luz do Céu, esses homens elaboravam algum plano para afastar-lhe a mente. Uma influência humana foi exercida para conservá-lo em trevas e reter sua influência entre os que se opunham à verdade. Finalmente Guilherme Miller levantou a sua voz contra a luz do Céu. Falhou ao não receber a mensagem que teria explicado plenamente o seu desapontamento e lançado luz e glória sobre o passado, o que lhe teria restaurado as energias perdidas, iluminado sua esperança e o levado a glorificar a Deus. Ele se apoiou na humana sabedoria em vez da sabedoria divina; mas, enfraquecido por árduos esforços na causa do Seu Mestre e pela idade, não foi tão responsabilizado como os que o afastaram da verdade. Estes são responsáveis; o pecado repousa sobre eles. Se tivesse sido possível a Guilherme Miller ver a luz da terceira mensagem, muita coisa que lhe parecia escura e misteriosa teria sido explicada. Mas seus irmãos professavam tão profundo amor e interesse, que ele achou não dever romper com esses. Seu coração se inclinava para a verdade, e então ele olhava para seus irmãos, que se opunham a ela. Podia afastar-se dos que com ele tinham permanecido lado a lado na proclamação da vinda de Jesus? Ele pensava que certamente não poderiam levá-lo ao extravio. Deus permitiu-lhe cair sob o poder de Satanás, o domínio da morte, e escondeu-o na sepultura, afastando-o daqueles que o estavam constantemente desviando da verdade. Moisés errou quando estava prestes a entrar na Terra prometida. Assim também, eu vi que Guilherme Miller errou quando já estava perto de entrar na Canaã celestial, ao permitir que sua influência fosse contra a verdade. Outros levaram-no a isto; outros darão conta por isto. Mas os anjos vigiam o precioso pó deste servo de Deus, e ele ressurgirá ao som da última trombeta ( Primeiros Escritos p. 258).

Ellen White tenta de qualquer maneira isentar Miller de responsabilidade pela sua "apostasia". Coloca o caso de Moisés para deslocar o evidente: Miller foi um apóstata adventista! Moisés jamais poderia ser análogo ao caso de Miller pois ele foi impedido de entrar na terra por uma fraqueza pessoal, não por abandono da fé. Se Miller abandonou o movimento adventista ele tornou-se, dentro da perspectiva adventista, um apóstata pois desviou-se da fé. Ele se opôs à luz do céu, segundo Ellen White. O que seria isso?

A Ellen White sabia muito bem das palavras de Miller contra o movimento adventista:

"Acerca da falha da minha data, expresso francamente o meu desapontamento [...] Esperamos naquele dia a chegada pessoal de Cristo; e agora para dizer que não erramos, é desonesto! Nunca devemos ter vergonha de confessar nossos erros abertamente.(Seitas Sinais dos Tempos 1984, p. 28 citação das "memórias de Miller").

As próximas palavras de Miller, não escapariam de uma classificação de apostasia:

"Não tenho confiança alguma nas novas teorias que surgiram no movimento; isto é, que Cristo veio como Noivo, e que a porta da graça foi fechada; e que em seguida à sétima trombeta tocou, ou que foi o cumprimento da profecia em qualquer sentido." (Seitas Sinais dos Tempos, 1984, p. 29).

Pelo relato de Miller ele não apenas esteve enfraquecido com respeito a 1844. Ele rejeitou publicamente o que pregou. Nem a posterior formatação de Hiran Edson ou mesmo as visões da Sr White sobre 1844, foi aceita pelo "homem da vassoura". A Sra White se enganava? Ou enganava?

Ainda sobre a ligação entre adventismo e Guilherme Miller, Antony Hoekema coloca de forma interessante que tal ligação está arraigada "nas profecias de Miller" (Hoekema, 1985, p. 7). Parece que tal insistência seria desnecessária, mas não é. O que foi posto identifica o Adventismo com a falsa profecia de Miller, e não apenas a formatação divulgada posteriormente. Depois de Miller, Hiram Edson, J. Bates e especialmente Ellen White, foram os mentores do que é o hoje o Adventismo do Sétimo Dia.

Antony Hoekema indica H. Edson e J. Bates como determinantes para o adventismo. Deve-se lembrar que, o que eles influenciaram teologicamente, Ellen White, foi mistificou por suas próprias visões, "confirmando" aquilo que eles disseram para ela. Canonizando profeticamente a interpretação por eles sugerida. A influência deles foram as seguintes:

1) Hiram Edson: após a grande decepção, esforçou-se, junto a outros adventistas, em encontrar respostas. Estavam convencidos que teriam respostas do por que se decepcionaram. Edson teve uma visão, segundo relata, que Jesus ao fim dos 2300 dias de Daniel 8.14, entrou no Santíssimo no céu. E não necessariamente na terra, como esperavam. Poucos meses depois, em fevereiro de 1845, Ellen White teria uma visão semelhante. Dessa maneira introduziu a interpretação nova de Daniel 8.14 ( El Adventismo, Antony Hoekema, 1985, p.10).

2) J. Bates: foi um adventista que presenciou a decepção de 1844. Após ter lido a defesa da guarda do sétimo dia, e recebido influência por parte de Batistas do Sétimo Dia, Bates escreveu dois tratados sobre o tema. Afirmando a necessidade da guarda do sábado. Conseguiu convencer a Ellen White e seu esposo, James White,de que esse dia era o sinal de Deus em seus servos verdadeiros. (Hoekema, 1985, p12). Após isso, Ellen White teve um sonho em 1847, ou como ela insiste, uma revelação. Onde no céu as duas tabuas da Lei eram expostas e o quarto mandamento em destaque. Dessa forma ela introduziu a guarda do sábado ao movimento adventista que estava seguindo (Hoekema, 1985, p.14). Fica evidente que essas visões foram influenciadas pelas posições de Bates e Edson, além de todo clima de decepção e, talvez, os problemas psíquicos da Sr White.

Desta maneira, as próprias palavras inspiradas de Ellen White, segundo os adventistas, e principalmente os fatos históricos, não permitem qualquer desligamento entre a data da volta de Cristo em 22 de outubro de 1844 e os adventistas de hoje. O elo que existe entre a igreja Adventista do Sétimo Dia e Guilherme Miller é a própria Ellen White.

Francis D. Nichol, Leandro Quadros e outros que seguem sua linha de argumentação, não foram exatos em suas defesas quando disseram que "os adventistas nunca marcaram datas para a volta de Cristo". Poucos conhecem a história adventista quanto Francis Nichol. Sua resposta não corresponde aos fatos.
Postado por Luciano às 14:20






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